Eu só queria esquecer. Esquecer que um dia você passou pela minha vida. Esquecer aquele Sábado a tarde em que te vi pela primeira vez. Você todo tímido, na sua, de boné, bermuda azul, olhando para o chão. Eu toda boba, brincando de rodar com sua irmã, mexendo toda hora no meu cabelo e na minha saia, pensando em como eu estava ridícula e em como aquela situação era constrangedora, porque eu não parava de falar coisas sem sentido, e fazer coisas idiotas, porque essa sou eu quando estou com vergonha. Esquecer aquele dia em que pela primeira vez te toquei, aquele dia em que eu não conseguia colocar aquele estúpido capacete amarelo, em que eu quase caindo não queria encostar em você, e você rindo me disse “Pode segurar em mim, eu não mordo”, aquela foi a primeira mentira que você me contou. Esquecer aquele domingo a noite, em que meu pé estava doendo e nossas mães estavam conversando, eu entrei e sentei na escada, você se sentou ao meu lado e começamos a conversar, aquela foi a nossa primeira conversa de verdade. Esquecer você tímido, olhando para o chão enquanto conversávamos e eu como um livro aberto te contava sobre a minha vida, e você me contava sobre a sua. Esquecer como eu estava contando os segundos e me martirizando esperando você me beijar. Esquecer aquele seu olhar quando finalmente desviou o olhar do chão e me perguntou todo sem jeito se podia me beijar, eu fiz graça primeiro, mas depois é claro que disse que sim. Esquecer quando nossos lábios se tocaram pela primeira vez, esquecer como meu mundo parou naquele momento, como tudo que me importava era eu e você, ali, meus lábios nos seus.. Esquecer todas as manhãs antes de escola, em que eu sempre te acordava. Esquecer aquela sua cara de sono, que me fazia sorrir, me fazia te amar ainda mais. Esquecer aquele dia em que descíamos a escada da sua casa e você falou bem baixinho “Eu te amo”, eu congelei, não consegui responder. Esquecer aquela escada. Aquela escada que tudo viu, que tudo sentiu, em que tudo aconteceu, em que conversamos, brigamos, choramos, fizemos as pazes, nos abraçamos, nos beijamos, etc. Esquecer aquele primeiro jogo que assistimos juntos na casa da minha irmã, naquele dia você percebeu o quanto eu era louca pelo meu São Paulo. Esquecer que naquele mesmo dia, dentro do ônibus, indo para casa, no meio da nossa conversa eu disse “E nesse nosso rolo, ficada, ou sei lá o que (…)” e você prontamente disse “Pra mim é sério. Pra mim estamos namorando”. Eu mal sabia que esse era o seu ‘pedido de namoro’. Esquecer daquele triste dia, um dos piores, senão o pior dia da sua vida, que eu estava junto com você. Esquecer das suas lágrimas molhando a minha blusa, eu apenas conseguia te abraçar e pra você aquilo já era suficiente. Esquecer daqueles momentos. Esquecer das nossas manhas, brigas, dos nossos carinhos, ciúmes, momentos. Sim. Muitos momentos. Esquecer daquele dia em que você comprou nossas alianças naquele shopping ridículo, e que na volta compramos aqueles aneizinhos de doce para enganar a sua mãe. Esquecer as nossas idas à academia, os meus atrasos na escola, os seus atrasos no serviço e principalmente o motivo deles. Esquecer daquele dia do enquadrão na porta da escola. Esquecer de todas as palavras ditas e não ditas, de todos os olhares que falavam muito mais do que nossas bocas, da sensação do toque da sua mão em meu rosto. Esquecer daqueles últimos dias. Sim, aqueles dias em que suas amizades eram mais importantes do que eu, aqueles dias em que nós só brigavámos, em que eu só chorava e você só me ignorava. Esquecer daquela Segunda-feira de manhã, 11 de outubro de 2010, em que em um determinado momento você me disse Eu Te Amo, mal sabia eu que aquela era a última vez que eu iria ouvir essas palavras da sua boca. Esquecer aquela terça-feira ensolarada, 12 de outubro. Dias das crianças, o dia em que você foi uma criança. Esquecer daquela ligação “Eu preciso conversar com você”, aquela sua voz, aquela enrolação, aquele desespero, aquelas lágrimas que caiam pelo meu rosto. Esquecer aquele último beijo, aquele que eu tive que pedir, aquele que transmitia toda a minha agonia e a sua despedida. Esquecer aquele momento, naquele mesmo dia, em que eu entrei no msn e você terminou comigo sem ao menos me explicar o real motivo. E esquecer o pior de tudo, aquele buraco que se formou em meu peito naquele momento, aquela dor insuportável que permaneceu em mim por muito tempo, que foi diminuindo aos poucos, mas que nunca desapareceu. Esquecer aquelas lágrimas, aquele aperto no peito, e as decisões que a sua decisão me fez tomar. Esquecer você, esquecer nós dois, esquecer tudo, esquecer de mim, esquecer da vida. Sim, era tudo o que eu mais desejava. Quer saber um segredo meu? Eu nunca te esqueci, e nunca irei esquecer, nunca parou de doer nem nunca irá parar. Eu sempre te amei e para sempre irei amar. Eu lembro de cada detalhe, cada palavra, isso aqui é apenas 1% de tudo que lembro sobre nós dois. Sei que você nunca irá ler isso, e mesmo que um dia chegasse a ler, para você não iria fazer nenhuma diferença. Pois aí está você, desde aquele dia 12 de outubro, enquanto eu chorava, você sorria. Você nem ao menos sentiu a dor de estar sozinho, nem esperou sentir um pouquinho a minha falta. Espero que ela te faça feliz como eu sempre planejei fazer. Eu amo você. Sempre irei amar. Lembra da Lua Cheia? Pois é, eu lembro, e toda vez que eu a vejo é inevitável não lembrar de você. Peço sempre pra ela levar um beijo meu até você, mas é inútil, pois é claro, você não se lembra de nada disso.
( betterforme )